Gießen

Gießen não é uma cidade alemã famosa da qual todos já tenham ouvido falar, muito menos eu, antes de ser selecionada para o intercâmbio. Desde que fui aprovada, tenho pesquisado o que pude sobre essa região e vou contar aqui algumas “informações técnicas” junto com minhas impressões. Neste post eu já tinha contado um pouco do lugar.

Ficha técnica: É conhecida como “Universitätsstadt Gießen”, ou seja: cidade universitária Gießen. Possui cerca de 75 mil habitantes, dos quais 30 mil são estudantes universitários – a maior densidade de estudantes de toda a Alemanha. Localizada no estado de Hessen (região central do país), é localizada as margens do rio Lahn. O nome da cidade pode ser traduzido grosseiramente como “derramamento/fundição” – e se deve pela posição geográfica perto de lagos e rios. Apesar de ser uma cidade bem antiga – remonta de 775 d.C. – não aparenta ser tanto assim, porque um bombardeio em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, destruiu quase toda a cidade que teve que ser reconstruída.

Minhas impressões: É uma cidade pequena, o que vejo como vantagem, já que, quanto menor, mais fácil a locomoção. As ruas são limpas, as calçadas são bonitinhas, não há engarrafamento e muita gente anda de bicicleta. Por ser uma urbe pequena, vejo e revejo os mesmos rostos nos ônibus, na universidade, nas lojas etc. – é muito mais fácil encontrar conhecidos nas ruas do que em Brasília, por exemplo. Há muitos velhinhos e muitos casais deles, que são muito fofos! Andam de mãos dadas ou abraçados, colocam pedaço de comida um na boca do outro, um amor.

Transporte: Os ônibus são confortáveis e modernos, o motorista controla o trajeto e as passagens com um computador de bordo, a estrutura do veículo se abaixa para que os passageiros não tenham que subir um degrau muito alto, não há catraca… Transporte público bem organizado e pontual.

Animais: É muito raro ver animais de rua, já vi pouquíssimos gatos por aí, mas de tão gordos que eram, duvido muito que não tinham dono. Muita gente tem cachorro e os caninos entram em lojas, restaurantes, andam de ônibus e trem (os donos pagam passagem por eles), e são muito comportados. Apenas uma vez vi um cão latir num shopping, mas foi um caso a parte. É muito mais prático ter esse bicho de estimação nas cidades alemãs já que não é necessário reservar um horário do dia para cuidar dele, o cachorro realmente faz parte da sua vida e lhe acompanha nas mais diversas atividades.

Pessoas: A maior parte das pessoas é acolhedora e prestativa – bem mais que uma vez me ofereceram ajuda, ao perceberem que eu tinha cara de quem estava perdida, por exemplo. Nas aulas, ao saberem que sou intercambista, outros alunos perguntam se preciso de algum tipo de ajuda para me adaptar. Aqui encontro literalmente pessoas do mundo todo, já conversei com gente de países como Turquia, Espanha, Venezuela, Colômbia, Estados Unidos, Brasil, Japão, China, Cazaquistão, Uzbequistão, Marrocos, Rússia, Polônia, Itália, Índia, Jordânia, Camarões, França e outros. A multiculturalidade é um ponto que me agrada muito.

Algo marcante e negativo é o cheiro: no ônibus, na universidade, na rua, nas festas, no meu andar, sempre há cheiro de suor e cc. Não há uma vez que não se sinta esse odor típico de falta de banho e de desodorante. É claro que não é todo mundo que fede, mas é tão forte que até penso que sou eu ou que só eu estou sentindo, pois parece que para todos isso é normal. Onde eu moro, compartilho banheiro (dois vasos sanitários e dois chuveiros) com outras 12 pessoas e pensei que haveria muita fila para tomar banho. Que nada! Está sempre vazio, muito raro alguém ir se lavar.

Culinária: Na cidade, um prato comum é o döner ou gyros – um espeto giratório de carne que é cortada antes de ser servida. É uma especialidade turca que vai em sanduíches, com batata frita e repolho e com o que mais quiser. O chucrute que é na verdade sauerkraut (apesar de não ter nada a ver com o nome que os brasileiro dão) é uma conserva de repolho que é servida em muitos lugares – no Mensa (restaurante universitário) e em outros restaurantes. E a salada de repolho também é bem comum. Outra atração é um molho de iogurte delicioso que vai bem com tudo. O principal carboidrato é a batata, principalmente frita. As lingüiças e salsichas estão presentes e há muitos sanduíches com elas (normalmente tão grandes que ficam para fora do pão) – mas desses sanduíches ainda não provei. Em tudo que comi por aqui, o tempero é bom, mas bem forte e se usa muito mais pimenta que no Brasil. Comi umas sopas ótimas também, uma delícia no frio.

Clima: Agora estamos no inverno, então as folhas secas estão por toda parte, é frio, mas não é insuportável e existem dias mais quentes. Quando a neve chegar é que vai ser outra história: segundo moradores, chega a -10°C e a altura da neve chega a uns 30 cm. Para quem nunca viu a neve, estou com medo de passar muito frio, mas estou ansiosa por conhecer um tipo de clima que eu nunca vi.

Tá bom já né?

beijos

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Já na Alemanha

Vim para a Alemanha, estou aqui desde o dia 5 e acabei esquecendo – e tendo preguiça – de escrever sobre isso. Quero atualizar esse blog para que no futuro, quando já tiver acabado o intercâmbio, eu possa vir aqui, ler o que vivi, matar a saudade desse período de tempo; e também para contar, a quem quiser ler, como está sendo minha vida aqui…

O voo

Antes de embarcar, fiz despedidas da minha família, da família do meu namorado e dos amigos. Peguei o avião no dia 4, depois de muito choro ao dizer tchau pros meus pais, pro meu irmão e pro meu namorado. Despedidas são tristes, sempre, ainda mais se é por muito tempo. O voo foi muito cansativo, umas 10h de Brasília para Lisboa e não consegui dormir nada. De Lisboa peguei um avião para Frankfurt.

Trem

Desespero para pegar o trem certo carregando mais de 40 kg de bagagem na estação de Frankfurt

Até aí foi moleza. A grande dificuldade foi ao chegar a Frankfurt ter que vir para Giessen, de trem, com uma mala de 30 kg, uma mala de mão de 10 kg e uma bolsa. Sorte minha, muita sorte mesmo, que uma da colega da UnB, por coincidência, veio no mesmo voo que eu, a Tajla. Pelo menos alguém para compartilhar as lástimas e me ajudar.

Comprar a passagem de trem para Giessen, sem falar alemão, com uma atendente gorda e grossa que falava inglês com um sotaque em que não consegui entender nem o preço da passagem foi uma comédia trágica. “Cértin” era para ser “thirteen” (13) euros.  O peso das malas era tanto que as pessoas me ajudavam para subir nos trens (tive que pegar 2).

E a um grande desafio era pegar o trem certo, perdemos um dos trens, tivemos que pegar outro, foi uma confusão, mas no fim deu certo.

Já em Giessen

Finalmente indo para minha nova casa

Em Giessen, eu e a Tajla pegamos um táxi para ir para a central dos alojamentos. Chegando lá, estava vazio, pois havia um break entre as 3 e as 6 da tarde. Ou seja, já exausta, sem ter dormido nada na noite anterior, sem ter almoçado nada, tive que esperar até as 18h para pegar a chave de casa.

Pelo menos de lá, o atendente nos trouxe de carro até o alojamento. Foi um sonho chegar ao meu quarto e finalmente poder tomar banho. Fiquei com dores no corpo pelo peso das malas mais de uma semana depois disso. Na volta não passo por isso de novo, nem a pau! Conheci um espanhol que pagou 100 euros para vir de taxi para cá, mas posso garantir que vale a pena pagar esse preço para não passar por isso. Foi um inferno.

Aqui achei que teria internet logo ao chegar, pois estava inclusa no aluguel. Para minha surpresa, e decepção, acesso a internet (a cabo, e não tem wireless) só com a carteirinha de estudante. Ou seja, fiquei uns bons dias sem acesso e me comunicando pouco com caríssimas ligações internacionais. Só depois de fazer a matrícula e comprar um cabo (que se soubesse que era preciso, teria trazido de casa) tive acesso! Mas antes disso, graças ao bom Deus, um vizinho me emprestou login e senha – eu e a Tajla na verdade – para usar internet.

Outro probleminha, bem grande na verdade, foi que a luz do meu quarto estava queimada – passei três dias com luz somente durante o dia até que o hausmaster veio arrumar para mim. Não foi legal ficar no escuro total a noite :/ .

Depois disso, já consegui ir me adaptando por aqui. Comprei utensílios de cozinha (copos, pratos, talheres, panela) e comidinhas (frutas, verduras, sucrilhos, cappuccino, leite, chocolates, ovos, iogurte, pão de forma, óleo, sal etc.), produtos de limpeza (vassoura, esfregão, pazinha, panos para limpar poeira, desinfetante), agasalhos (incluindo casacos e botas para a neve), papel para colar na janela e me servir de cortina… Enfim, estou, aos poucos transformando isso aqui em lar.

Felizmente, desde o primeiro dia, minhas impressões de Giessen foram boas: cidade pequena, bonitinha e acolhedora. Minhas aulas começaram na semana passada e meu curso de alemão começou ontem. Depois eu conto como está sendo o resto!

Saudade 1

Namorado

Uma falta que vai doer muito.

Saudade 2

Silvas + Lisboas

Família é uma das coisas das quais mais vou sentir falta.